O Telefone Preto (2022)



Em O Telefone Preto, Ethan Hawke retorna ao terror para viver um personagem inusitado para um ator com quatro indicações ao Oscar no currículo: um assassino em série em um filme de baixo orçamento. Hawke não é estranho ao terror. Entre seus trabalhos no gênero estão Uma Noite de Crime, que continua gerando sequências, e A Entidade, cuja direção e roteiro foram assinados por Scott Derrickson, que também exerce estas funções em O Telefone Preto. Certamente uma reunião feliz, já que esta nova colaboração entre Hawke e Derrickson rendeu mais um interessante terror sobrenatural.


Em O Telefone Preto, Finney Shaw (Mason Thames) é raptado por uma figura misteriosa conhecida somente como O Sequestrador (Ethan Hawke). Preso em um porão à prova de som, Finney é surpreendido por um telefone desconectado que começa a tocar. Do outro lado da linha estão as vítimas anteriores de seu raptor, determinadas a garantir que Finney não tenha o mesmo destino que elas tiveram. Scott Derrickson dirige seu próprio roteiro, escrito ao lado de C. Robert Cargill.


Baseado em um conto de Joe Hill, o roteiro de O Telefone Preto é bastante econômico. Derrickson e Cargill não se alongam em grandes explicações sobre O Sequestrador ou suas motivações, nem tentam explicar as habilidades de Gwen (Madeleine McGraw), a irmã mais nova de Finney, que tem sonhos premonitórios. O filme se concentra em Finney e nos fragmentos de história das vítimas, sempre oferecendo a perspectiva do protagonista sobre os acontecimentos. Esta decisão rende uma situação contraditória. O espectador é deixado com a curiosidade sobre as ações do Sequestrador, mas esta falta de informações sobre este personagem exacerba seu efeito aterrorizante. Nós sabemos que ele sequestra crianças, o que já é uma atitude terrível. Suas intenções, sempre obscuras, o tornam muito mais aterrorizante. O público experimenta com Finney o medo vivido pelo menino.


E o Sequestrador é um vilão aterrorizante. Algumas das composições visuais centradas nele são inquietantes, como o momento no segundo ato, em que ele aguarda a reação de Finney à possibilidade de escapar do cativeiro. Ethan Hawke concebe um vilão que, em poucos minutos, consegue criar uma forte impressão de pavor.


Ambientado em uma cidadezinha estadunidense em 1978, a atmosfera de O Telefone Preto constantemente evoca o sentimento de que as crianças não estão bem, que rondou algumas comunidades na década de 70. Dentro e fora de casa elas estão em perigo, como ilustra, de forma perturbadora, a natureza explosiva do pai de Finney e Gwen.


Além de Hawke, o jovem Mason Thames consegue sustentar seu protagonismo de maneira competente, e a Gwen de Madeleine McGraw rouba a cena com frequência.


Com razoáveis 1h 43 minutos de duração, O Telefone Preto oferece eficientes jump scares, personagens carismáticos e um enredo efetivo e conciso, que não se estende além do necessário.



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