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"Barbie" (2023)



Lançada em 1959, a boneca Barbie há muito se tornou um ícone cultural. Ela já ocupou cargos em todas as áreas possíveis: já foi revendedora da Avon, bailarina, cozinheira, policial, astronauta, presidente dos Estados Unidos, sempre com acessórios vendidos separadamente. Há quem diga que Barbie é uma figura feminista, e há quem argumente que Barbie é responsável por gerações de mulheres com problemas de autoimagem. Não obstante, Barbie faz parte do esquadrão que promete salvar o Cinema em 2023.


Dirigido por Greta Gerwig, que assina o roteiro ao lado de Noah Baumbach, Barbie acompanha a icônica boneca Barbie (Margot Robbie), que começa a experimentar uma crise existencial na Barbielândia. Guiada pela Barbie Estranha (Kate McKinnon), Barbie decide se aventurar no mundo real para encontrar a fonte de seus sentimentos divergentes. Acompanhada por Ken (Ryan Gosling), Barbie descobre que a realidade está longe da utopia que ela vive diariamente.


Barbie é um filme produzido com autêntico otimismo. Desde seus primeiros minutos ele tem uma mensagem para transmitir, relacionada ao feminismo, ao empoderamento feminino e ao protagonismo das mulheres. Barbie é o centro deste universo e não apenas sabe disso, mas assume a liderança sem receios. Barbie só descobre o que é autodúvida quando é confrontada com a realidade. E aí começa sua jornada para superar este sentimento que corrói a existência feminina.


Esta mensagem feminista se revela uma espada de dois gumes. O roteiro de Gerwig e Baumbach se concentra nos temas que deseja perpetuar e esquecer de contar a história. Ao mesmo tempo em que diversos momentos estão fadados a serem citados e reproduzidos enquanto a boneca Barbie existir no imaginário coletivo, o filme mina seus próprios esforços de tornar Barbie uma personagem empática e identificável. A metalinguagem se torna um vício que garante momentos cômicos e risadas fáceis, mas interfere com o trabalho desenvolvido por toda a equipe do longa-metragem. Paralelamente, Barbie reconhece que sua mensagem é, derradeiramente, direcionada para apenas uma parcela da população feminina, e suas tentativas de interseccionalidade ficam no pano de fundo, ou nas piadas auto referenciais.


Barbie talvez decepcione aqueles que esperavam uma experiência transformadora, mas está longe de ser um fiasco. O design de produção e o figurino são um espetáculo à parte, e Gerwig toma decisões bastante interessantes na direção, especialmente na mise-en-scène da Barbielândia, que lembra uma peça de teatro. A quantidade considerável de participações especiais também é uma atração.


Com 1h54min de duração, Barbie não reinventa o Cinema, mas não deixa de ser uma boa opção de entretenimento e, possivelmente, uma introdução ao feminismo. Margot Robbie contra o patriarcado é uma luta que vale a pena ser vista.



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